Posted by : CanasOminous 25 de jun de 2016

Quando Hal voltou para a Baía do Rei não encontrou mais o Popplio. Talvez tivesse ido embora, reencontrado sua família, ou quem sabe até mesmo capturado por algum treinador. Não sabia dizer ao certo o motivo, mas aquilo o deixou triste. Por mais que Popplio estivesse feliz ao lado de alguém que lhe desse comida, abrigo, cuidados e carinho; seu mais novo amigo o havia abandonado. Hal ainda dizia a si mesmo que não deveria se importar tanto com aquilo não era como se fosse a primeira vez.
Não sentiu vontade de pescar e nem de dar um mergulho junto do gigantesco Mantine. Só queria ter alguém para brincar. Às vezes sentia que já era velho demais para correr por aí e montar castelos na areia, em outras, que a vida o obrigara a crescer antes da hora. Sua irmã já não tinha muito tempo e nem paciência de conversar, tinha suas próprias preocupações e Hal não queria incomodá-la com futilidades como sair para tomar um sorvete.
Levantou-se, apanhou a primeira pedra que encontrou e atirou-a com força no meio das ondas que mal sentiram o impacto. Procurou por outra, só que maior, e dessa vez precisou das duas mãos para erguê-la acima da cabeça e arremessa-la, só para vê-la afundar como uma âncora de ferro. Em seguida, quis mais. Mais pedras. Era como se cada mágoa pudesse afundar no oceano sempre que jogasse algo para as profundezas do esquecimento, mas, enquanto as procurava, notou algo que não percebera de imediato.
— Pegadas — Hal murmurou, apoiando-se em seus joelhos para olhar bem de perto uma marca deixada na areia.
Por ser uma rota tão pouco usada, estava claro de que alguém passara ali não fazia muito tempo. Duas pessoas. As pegadas eram confusas porque havia um único chinelo daqueles bem baratos comprados na feira da esquina de sua casa, mas a pessoa andava com o outro pé descalço como se fosse um saci; enquanto o segundo sujeito tinha pés enormes, quase do tamanho de um Mamoswine.
Perto das pegadas havia também um item curioso: alguém deveria ter feito um lanche rápido e acabou se desfazendo de uma maçã meio mordida no meio da praia.
Hal ainda não tinha certeza, mas sabia que Popplio estava em apuros, e conhecia o lugar perfeito que o ajudaria a identificar quem eram os impostores.
Vestiu sua camisa e saiu correndo pela trilha em direção da cidade. Assim que alcançou a estrada, olhou para os dois lados à procura de marcas no chão que dessem algum sinal de onde seguir. Explorar os arredores era a maior aventura que poderia ter, e a ilha não era muito grande, se procurasse com cautela logo daria de cara com alguma pista. Não precisou caminhar mais que dez minutos até alcançar a cidade que costumava ser um vilarejo no passado, mas vinha recebendo tantos turistas que aos poucos os moradores nativos de Alola foram dando espaço às casas de veraneio dos turistas. Passou pelo farol e depois a sorveteria quando deu de cara com a área mais movimentada do centro, a concentração de pessoas era alta em qualquer época do ano. Naquele ponto, acabou por perder completamente qualquer sinal que pudesse investigar. Era hora de pedir socorro.
Hal afastou-se do centro da vila e rumou até perto da costa. Entre duas construções havia um beco escuro que dava em lugar nenhum e com uma enorme placa feita em papelão, escrito “O Esconderijo”. Em frente a ela, dois homens negros de aparência suspeita discutiam.
— Eu já disse pra tu não pôr essa placa aí, irmão — disse um deles, o mais magrelo que estava com um cigarro entre os dentes feito apenas de plantas nativas em Alola.
— Foi mal, irmão — respondeu o gigante que tinha quase o dobro de altura e músculos, mas compensava na maneira mansa e tranquila que falava com sua voz tão grossa quanto o troar de um trovão. — É que se a gente não colocar, ninguém vai saber que moramos aqui...
— Essa é justamente a intenção, big brother! Agora tu trabalha nas sombras, tá ligado? Tu tem que ser o impostor da parada, tu tem que arrepiar, não dá pra pegar mole, não, sacou?
— Mas eu não quero ser impostor...
Hal aproximou-se deles meio encabulado. Não sabia se estava incomodando ou não.
— Oi, pessoal.
Os dois sujeitos se viraram, o gigante abriu um enorme sorriso e ergueu os braços contente, enquanto o mais magro fez gestos estranhos com as mãos de modo que ambos dessem as boas vindas ao garoto.
— Aí, o menino Hal voltou! Qual é que vai ser, pivete? — disse o magrelo.
— Hal voltou! Hal voltou! — respondeu o musculoso que mais parecia uma criança saltitando daquele jeito. — Vamos convidá-lo para entrar? Tu deixa, irmão? Tu deixa?
— Chega aí, parceiro — ele pôs um dos braços em volta do ombro do menino como se já fossem velhos amigos. — Bem vindo ao nosso esconderijo, só não repara na bagunça, a gente tá reformando umas paradas.
Hal seguiu os dois até o que eles chamavam de “esconderijo”, e que nada mais era do que uma cabana de palha com uma mesa manca e algumas cadeiras de praia em volta. Havia também duas redes para dormir entre quatro pilares e diversos itens espalhados pelos armários, caixotes e barris espalhados em todos os cantos. A iluminação vinha toda lá de fora, tudo era muito pequeno e apertado, um adulto precisaria espremer-se para passar ali, mas uma criança como Hal conseguia muito bem andar, embora tivesse que tomar cuidado para não tropeçar nos produtos ou escorregar no chão cheio de buracos.
O magrelo puxou uma cadeira de praia, esticou as pernas finas como varetas e ligou seu rádio na primeira estação que tivesse algo tocando, bem alto.
Mi casa es tu casa — disse ele. — Quanto tu tá com Ika e Uko tu tá em boas mãos.
Ika era o irmão mais velho, um sujeito de pele escura e cabelo blackpower do qual orgulhava-se muito. Estava o tempo todo usando óculos de sol num estilo retrô, mesmo que não houvesse sol lá fora; a camisa sempre aberta, shorts largos e chinelão eram seu estilo, mas a verdade é que tudo parecia enorme em seu corpo esguio e desproporcional.
Já o irmão Uko era o completo oposto, alto — enorme, na verdade — de cabeça raspada e óculos escuros que mal protegiam seus olhinhos amendoados, mas por trás da aparência ameaçadora existia um coração gigante e cheio de bondade a compartilhar.
Hal sentou-se no chão de madeira e colocou sua mochila sobre a mesa. Com o peso, ela desabou. Ika indicou com um gesto da mão para que deixasse para lá, afinal, tinha que arrumá-la já fazia alguns meses.
— É bom te ver, guri. Como é que tá a escola? E os estudos? Tá se esforçando bastante e tirando notas altas?
— Estou sim, mas minha média sempre fica no sete ou oito, não consigo tirar nota maior de jeito nenhum em matemática.
Ika apontou para o garoto e o elogiou, sentindo orgulho de sua inteligência.
— Tá vendo, Uko? O menino é um exemplo de ser humano, nunca falta nas aulas e ainda por cima vê mais números que nós dois juntos! É assim que tem que ser, guri, é assim que tem que ser. Pra não terminar tipo a gente, sacou?
— Mas eu gosto do que vocês dois fazem. Sempre que trago meus tesouros raros para vocês eu consigo alguns trocados para comprar sorvete e ajudar minha irmã em casa.
— Eu gosto do Hal. — Uko reafirmou. — Hal sabe das coisas
Ika concordou com a cabeça e acendeu outro cigarro com seu isqueiro em forma de Heatmor, tragando a fumaça bem fundo para depois soltar um anel no ar.
— É que nós aprendemos a dar valor para as coisas que ninguém liga — falou Ika, sentindo-se profundamente mais sábio ao terminar a frase. — Chega mais, guri. Quero te apresentar nossas invenções mais recentes.
Ika levantou-se, foi até os fundos da cabana e revirou um monte de caixas até encontrar tudo que procurava. Voltou cheio de apetrechos e bugigangas entre os braços, espalhando-as pelo chão onde começaram a revirá-las como crianças em uma loja de brinquedos.
O primeiro item era um caderno velho comprado na feira da esquina e um lápis quase sem ponta. Ika colocou ambos sobre a mesa quebrada e sentou-se de pernas cruzadas, abrindo o caderno que possuía alguns desenhos mal feitos de Pokémons e manuscritos que mais lembravam garranchos.
— Eu chamo esse aqui de PokéAgenda.
— E como é que funciona? — indagou Hal, curioso para saber mais.
— É simples, sempre que tu ver um Pokémon novo, tu vai e desenha ele, se ligou? Aí tu pega e faz umas anotações e pá, e pronto! Tá tudo registrado, pra nunca mais esquecer.
— Mas e se o Pokémon fugir antes do desenho acabar?
Cuméquié?
— E se eu não souber e nem gostar de desenhar? E se eu for atacado por uma horda de criaturas enraivecidas enquanto estiver estudando seus costumes? Isso parece meio... perigoso.
— Hmmmmmm... Pode crer, velho — Ika coçou a cabeleira e jogou a caderneta para os fundos. — Enfim, nem ia funcionar mesmo, não é como se alguém ligasse para esse tipo de informação mesmo.
O próximo item era uma gerigonça esquisita que lembrava uma pá.
— Eu te apresento o Localizador de Itens! Ele serve pra, tipo... localizar itens, sacou? Quando tu tiver bem perto de alguma coisa bem louca, tu vai fazer um barulhinho, tipo, PI-PI-PI-PI! Só que a gente ainda não instalou o som, e nem sabe como vai fazer pra localizar objetos invisíveis, então ele meio que... não faz nada. Mas só por enquanto, é venda garantida.
— Parece promissor — falou Hal. — Continue.
— Ah, esse aqui eu adoro! — Ika retirou da caixa o que parecia ser um capacete metálico com duas colheres e um espremedor de laranjas no topo. Ele o colocou na cabeça de Hal, e Uko não se aguentou de rir do outro do lado. — Eu chamo de Compartilhamento de Experiência Avançado, o ÉKIS-PI-CHÉR! (Também conhecido como EXP Share).
Hal estava de boca aberta. Só o nome lhe dava ideia da grandiosidade do equipamento.
— Uau. E como é que funciona?
— Simples. Tu bota na cabeça dos Pokémon, e ele vai ficar tão gozado que todos os outros ficarão olhando pra ele enquanto ele luta. Aí todo mundo aprende junto, sacou?
Hal caiu na risada. Sempre se divertia muito com as ideias que os dois irmãos lhe mostravam, por mais que tivesse certeza de que nada daquilo seria muito útil no futuro.
— Beleza, vamos agora aos negócios. O que é que tu trouxe aí?
— Preciso que me ajudem em uma busca — informou Hal, revirando sua mochila com tudo que tinha dentro. Ele retirou dali a maçã comida pela metade, e apresentou-a como se fosse o objeto mais raro do mundo. — Hoje fui até a Baía do Rei encontrar o meu amigo, e no lugar havia apenas... isso.
— Sinistro — falou Ika, balançando o blackpower e mexendo a mão várias vezes com o cigarro entre os dedos. — Continua, continua.
— O que é isso? — perguntou Uko, que não entendia muito daquele negócio de itens raros, só ajudava com o trabalho pesado.
— Isto, meus amigos, é um Leftovers. Eu li em uma revista que este é um dos itens mais utilizados no sistema competitivo de batalhas em todo o mundo, os melhores treinadores fazem uso deste artefato em seus times para recuperar constantemente a energia de seu Pokémon. Eu quero dá-lo a vocês, se me ajudarem em minha busca.
Ika chegou bem perto da maçã meio mordida, pegou-a da mão do garoto e enfiou tudo na boca. Em seguida, levantou-se com tudo e esticou os braços para o céu.
— Maluco, eu esqueci de comer o resto! Já tô me sentindo mais forte!
— Deixa eu provar também, irmão! — implorou Uko, ansioso para provar do manjar sagrado, mas decepcionado ao ver que já tinha acabado. — Ahhh...
Ika voltou a sentar-se no chão em frente ao garoto.
— Te pago cinco pila por trazer minhas sobras de volta.
— O quê? Só cinco? Q-quero dizer, eu nem trouxe aqui para vender, eu queria que vocês me ajudassem a encontrar o meu amigo... — foi então que Hal se deu conta de algo. — Espera. Vocês estiveram na Baía do Rei recentemente?
Ele olhou bem para a forma como os dois se vestiam. Uko andava descalço e tinha pés enormes, e nos pés de Ika faltava um chinelo. Só podiam ser eles.
— Pode crer — o magrelo concordou com a cabeça, dando a entender que a) ou ele realmente esteve na baía, ou b) ele havia se esquecido de que esteve na baía. — Acho que nós passamos lá hoje cedo, mas pra fazer o quê mesmo?
— Comprar sorvete — respondeu Uko.
— Não, não. Antes disso.
— Comprar sorvete.
— Não, velho, tinha algo a ver com pizza... ou sorvete mesmo.
Hal virou-se depressa quando ouviu um som familiar. Os dois irmãos discutiam quando do outro cômodo da casa um Popplio surgiu alegremente, caminhando por aí e fazendo bagunça nos fundos. Hal correu para abraçar a criatura, aliviado por finalmente encontrar o amigo desaparecido.
— Eu achei que o tivesse perdido! Onde esteve o tempo todo?
— Calma aí, tu é parceiro dele? — Ika perguntou, dando uma tragada profunda e depois soltando a fumaça pelo nariz. — Sinistro.
— O que vocês estavam pensando em fazer deixando o Popplio trancado aqui dentro? Os Pokémons precisam de espaço e ar fresco, principalmente os aquáticos.
— É que somos impostores agor... — Uko começou a falar quando seu irmão tampou sua boca.
— A gente tá pensando em abrir um novo negócio.
— Verdade? E o que seria? — Hal perguntou, desconfiado.
Ika foi bem sincero em admitir:
— Roubo de Pokémon. É uma parada inédita, tá ligado? Tipo, ninguém pensou nisso ainda, então a gente vai ser os primeiros, e tenho certeza que daqui alguns anos vai virar tendência em todas as regiões do mundo. Tu pega uns Pokémon idiota e vende pelo dobro do preço!
— M-mas isso é ilegal...
— É muito legal mesmo — Uko bateu palmas, contente. — Encontramos a foquinha desengonçada lá na praia, aí decidimos trazer ele pra casa, aí brincamos juntos na areia, montamos castelinhos e demos comida e cobertor quentinho!
Hal pensou bem no que eles haviam feito por Popplio, e não parecia assim tão mal.
— Eu entendo que roubar um Pokémon de outros treinadores seja ilegal, mas ao resgatar um Pokémon selvagem e dar-lhe alimento e abrigo seria como adotá-lo. É como se vocês estivessem ajudando ele.
— Não é, não. Somos malvados. Não tente tirar o crédito da gente — Ika respirou fundo e depois alisou seu bigode — Não tá fácil pra ninguém, parceiro... Mas se tu quiser, a gente pode vender o Boz pra ti.
— Quem é Boz?
— É o nome que a gente deu pro Boz! — respondeu Uko, dando a entender que eles haviam apelidado o pequeno Popplio de Boz. — Ele parece um palhacinho.
— Tipo o Bozo — Ika fumou um pouco mais de seu cigarro, como se aquilo o fizesse se esquecer de tudo. — Tenho medo daquele desgraçado sempre que ele aparece na TV...
Hal olhou para o pequeno Popplio que ria apesar do apelido horrível que lhe deram. Talvez um dia se acostumasse.
— Ainda não consigo acreditar que vocês dois abandonaram o ramo dos artefatos raros para atuar com sequestro e venda de Pokémons.
Ika ajoelhou-se ao lado de dele e acariciou a cabeça do Popplio. Apesar das circunstâncias, o jovem leão marinho gostava muito deles.
— Pô, guri, não estamos sequestrando ninguém... Nós cuidamos do bichinho, compartilhamos a mesa com ele, dormimos na mesma cama e agora só estamos tentando consertar as coisas. Os adultos precisam pagar as contas.
— E quanto é que pretendem pedir por cada Pokémon que vocês venderem?
Ika levantou-se e foi até a varanda da cabana onde tinha vista para o mar. Ele e seu irmão deviam ter refletido muito sobre aquela questão, muitas coisas estavam em jogo, eles poderiam ser os pioneiros em um sistema de facções criminosas nunca antes visto no Mundo Pokémon. Levou as mãos para trás, deu uma coçada na cabeleira e apagou seu cigarro no cinzeiro no peitoral da janela.
— Eu estava discutindo isso com o Uko agora mesmo. E chegamos à mesma conclusão — eles se entreolharam e fez-se o suspense, como se estivessem para anunciar um valor inestimável em troca das criaturas — mas uma pizza de pepperoni ia bem, hein.
Hal piscou uma vez antes de entender a frase.
— É sério?
— Uhum — Uko fez que sim com a cabeça.
— Tu acha que é muito? Dois pedaços tá de bom tamanho também.
— Não, digo, só isso? Vocês querem trocar Pokémon raros por pizzas de pepperoni?
Ika virou e deu um tapa de leve na cabeça do garoto.
— Tu tá louco em falar assim da pizza, mermão? A pizza é sagrada. Não é uma qualquer, não, tem que ser aquela do centro que só os gringo pede e que vem com tanto queijo que transborda pela boca, tá ligado? Se cada Pokémon que a gente capturar der pra comer uma pizza, estamos garantidos até o fim da vida!
Hal olhou para Popplio e pensou bem no que dizer. A situação em sua casa não estava das melhores, mas também não chegava ao ponto de não poder compartilhar uma pizza com os amigos no fim de semana. Talvez sua irmã não se importasse.
— Bem, então eu... compro o Popplio de vocês.
— Tu tá falando sério? — Ika retirou os óculos. — Tipo, sério mesmo?
— É. Se quiserem vocês podem aparecer lá em casa no fim de semana, e eu peço para minha irmã comprar duas pizzas do que vocês quiserem, e nós comemos todos juntos. Isso se deixarem eu ficar com o Popplio.
— Guri, ele já é seu. Só levar!
Hal riu, abraçando seu Pokémon com mais força.
— Eu preciso assinar algum contrato ou coisa parecida?
Ika esticou a mão, e aquele foi o selamento do acordo.
— Tua palavra me basta, maninho. Lá pras seis damos as caras, sabadão depois da igreja, demorou? Agora, se nos der licença, o Grande Ika e o Pequeno Uko precisam deixar seu esconderijo e caçar mais criaturinhas selvagens, até porque pizza não cai do céu. Por enquanto.
Hal ajeitou seus pertences e estava para acompanha-los até a saída quando decidiu perguntar:
— Vocês pretendem mesmo continuar com esse negócio de trocar Pokémons por comida? Vocês são tão criativos, aposto que conseguiriam ter outras ideias para conseguir dinheiro... e pizzas também.
Ika coçou a cabeça e olhou para Uko. Por mais que parecesse egoísta por parte deles, eles realmente haviam pensado muito no assunto. Ika apoiou-se em seus joelhos e ficou na altura de Hal para conversar.
— Guri, isso é coisa de adulto. Pra cuidar da família às vezes temos que fazer coisas ruins também. Um dia você vai entender.
Depois de terminada a séria conversa entre os dois, Ika estalou os dedos e ajeitou seus óculos escuros.
— Maluco, acabei de ter outra ideia original aqui na minha caixola! E se a gente começar a pescar Magikarps e sair vendendo elas nos Centro Pokémon? Os gringos adoram coisas exóticas. Basta dizermos que é especial.
— Ela é especial — repetiu Uko. — Foi capturada por nós dois!
— Ao invés de conseguirmos uma pizza por dia, podemos conseguir — Ika contou nos dedos, só para ter certeza — duas pizzas! Velho. Eu sou um gênio. Daqui alguns anos todos estarão fazendo isso, no mundo inteiro, pode marcar o que eu digo.
Os dois irmãos deixaram seu esconderijo, e Hal percebeu que era hora de arrumar suas coisas e ir embora também.
Com o pequeno Popplio nos braços, sentia que agora seria responsável por ele. Não exatamente como seu treinador, mas como seu guardião. Não o havia capturado legalmente, mas sentia-se na obrigação de protegê-lo de qualquer ameaça a partir daquele momento.
Já estava começando a entardecer e pegar o caminho de volta para a Baía do Rei era inviável. Olhou bem para o Popplio, e algo lhe disse que o Pokémon não se importava de passar a noite em lugar inédito. Ele se dava muito bem com as pessoas e adorava receber atenção de quem fosse.
A questão era o que sua irmã iria dizer ao chegar em casa com mais visitas...

   

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  1. Oh deuses! Esses dois negros acabaram por ser as minhas personagens favoritas kkk

    Gostei da forma como as frases deles parecem português africano misturado com português do Brasil com um pouco de português de Portugal, esses dois estão demais!

    Um isqueiro em forma de Heatmor? EU QUERO!
    Estão muito originais essas personagens. Será que eles também inventaram os perfumes mal cheirosos que afastam todos incluindo Pokémons? (Repels)
    Bolachas de pedra derretida? (Lava Cookies)
    Um bolo duro e queimado em forma de tijolo? (Old Gateau)
    Será que eles um dia lamberam um Vanillite sem querer e inventaram o Casteliacone?

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    1. Hey, Shii! Deve ter sido muito engraçado para você que é de Portugal, acho que esses dois personagens usam tantas gírias esquisitas que no fim das contas parece que estão falando outra língua kkkkk A maioria delas são algumas que ouço na região de São Paulo, com todo aquele sotaque carregado e coisas que nem fazem muito sentido às vezes kkkkk Me pergunto também quais seriam as gírias mais estranhas que você ouve aí em Portugal.

      Eu adoro colocar esses pequenos detalhes como um isqueiro com a forma de Pokémon ou um abajur com o formato de um Lanturn! São coisas do cotidiano para eles, mas que até mesmo nós do mundo real iríamos adorar ter em nossa casa kk

      Que bom que os dois personagens conseguiram cumprir com seu papel de comédia, tenho na minha cabeça que não sou muito bom com essa parte de fazer os outros rirem! D: Mas fiquei bastante contente com o resultado. A ideia dos itens veio muito de repente, mas eu adorei suas sugestões, especialmente do Repel! Não se surpreenda se qualquer hora o Ika disser:

      "Esse aqui é o meu novo spray anti-Pokémon! Tu pega e taca pimenta no corpo inteiro e depois espera QUEIMAR!" kkkkkkkkkkkkkkkk Obrigado por comentar, Shii! :3

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  2. Goatei MUITO desses personagens novos! Eles são mt carismáticos, e lembram a gente que nem tudo é preto e branco, adorei

    Agora temos que esperar que a Mili compre as pizzas, pfv Mili <3

    Ohana Dreams ta me fazendo amar o Popplio cada vez mais, acho que quando eu tiver com o jogo, vou tentar fazer umas trocas pra ter um <3

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    1. Obrigado, parceiro! Estou gostando de trabalhar com a Ohana Dreams porque ela é uma história muito diversa, mais ou menos como eram as coisas na época dos Fire Tales lá de Sinnoh. Tive a oportunidade de utilizar com uma gama de personalidades e estilos diferentes e acabei até descobrindo quais que são os que eu mais gosto de trabalhar.

      E você acha que a Mili não compraria pizzas? Ela pode ser uma one-chan meio brava, mas continua sendo a one-chan mais fofa do mundo! ❤

      Esperem só até o Popplio virar uma sereia fadinha que todo mundo vai querer morrer pra ter um! Dominando todas as passarelas kkkkkkkkk Eu ia ficar com o Rowlet aqui em casa porque adorava corujas quando criança, mas sei lá, vamos ver o que a nova região nos guarda. Ainda estou apostado em muitos aquáticos incríveis baseados nas criaturas marinhas mais diversas! Valeu pela presença, Fael. Grande abraço!

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  3. Muito bom!! Gostei desses dois, pensei que seriam os vilões

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