Posted by : CanasOminous 26 de nov de 2016

O sol brilhava forte e a região tropical na Ilha Melemele convidava seus habitantes a aproveitarem o melhor daquele dia. Dylan gostava do mar, era como seu segundo lar, adorava surfar e mergulhar, mas a simples ideia de uma viagem por trilhas na floresta e rotas inexploradas foram o suficiente para incentivá-lo a experimentar algo novo.
 Na última noite Hal viu um estranho feixe luminoso no céu e pensou tratar-se de uma estrela cadente, mas o misterioso objeto atravessou a estratosfera com velocidade e caiu precisamente em algum lugar daquela selva. Se não descobrisse o que era, tinha receio de não dormir até as aulas voltarem.
Mili não se interessou nem um pouco com a ideia. Seu irmãozinho correndo perigo na zona tropical cheia de Pokémons selvagens! Só concordaria se Hal estivesse acompanhado de alguém forte e corajoso o suficiente para enfrentar todos os perigos tanto que Dylan foi o escolhido, por ironia do destino ou não. Mili permaneceria na mansão junto do Barão e da Baronesa, a Sra. Renée praticamente a adotara como uma segunda filha e pareceu empolgada para mostrar-lhe fotos e lembranças antigas de sua família. Ika e Uko saíram logo depois do café da manhã na companhia do Sr. Maximiliano que ofereceu uma indicação para que os dois encontrassem algum emprego na vila.
Enquanto isso, Hal e Dylan davam início ao seu empolgante programa em família.
— E agora estamos aqui, cunhadinho. Vamos atrás de um tesouro desconhecido vindo do espaço sideral! — falou Dylan enquanto fazia seu caminho entre as rochas, apoiando-se em um pedaço de madeira na tentativa de esconder seu cansaço.
— Eu já falei que não precisava vir — respondeu Hal mais a frente, sem se dar ao trabalho de olhar para trás. — Eu trouxe o Dia comigo, estaremos seguros.
— Tá brincando? E perder a oportunidade de explorar essa mata densa? Quando eu morava em Hoenn entrei sozinho na Granite Cave e consegui sair de lá inteiro sem ser devorado pelos Zubats. Sem nenhum Pokémon com a habilidade Flash! Meu segundo nome é Aventura, cara, e juntos nós formamos... A Aliança Aventuras!
Dylan riu de sua própria piada, parando para apoiar-se em seus joelhos no meio do caminho. Em seguida retirou um Max Repel da mochila e começou a passar por todo o corpo para se livrar dos mosquitos que o incomodavam. Dava para sentir o cheiro na floresta inteira.
— Na verdade fiquei sabendo que meu amigo Iz estava meditando e estudando plantas por essas bandas, então pensei em vir dar um “oi”.
— Imaginei. Você não tem cara de quem gosta desse tipo de aventura. Entrar no meio da mata, estar em contato frequente com a natureza — brincou Hal.
— Não curto nem pisar na grama sem chinelo, cara. Mas já que estamos aqui, vamos procurar logo essa estrela cadente e voltar para a sua irmã. Mal posso esperar para tomar um banho de mar e me livrar desses mosquitos.
A escalada era íngreme, cheia de pedras escorregadias e vegetação alta. Dylan podia não gostar muito da sensação de estar sufocado pela selva densa, mas não podia negar que a visão de dentro dela era deslumbrante. Via Pokémons que nunca sequer imaginara que existiam, flores e frutos nativos de Alola. O ar era mais puro do que em qualquer outro lugar que já pisou, era como um santuário mantido pela própria natureza.
Assim que alcançaram o cume da montanha, Hal chamou-o para que viesse mais depressa.
— Dê só uma olhada nessa vista.
Dylan respirou fundo e subiu. Lá de cima pôde enxergar toda a Ilha Melemele e suas ilhas vizinhas como pontinhos pequenos no oceano. O Vilarejo Iki não passava de um pequeno aglomerado de caixinhas na costa, a imensidão azul se estendia pelo horizonte, separando céu e mar em mantos azulados. Por um instante teve a impressão de que avistara um Wailord saltar do oceano, mas ele mais parecia um pontinho minúsculo menor que seu dedo.
Dylan estendeu os braços e sentiu a brisa bater, como se fosse capaz de voar.
— Eu espero que este lugar jamais seja descoberto pelo homem.
— Por que diz isso? — indagou Hal.
— Sei lá, acho que o contato com a empresa do meu pai me fez reparar um pouco mais nas coisas ao meu redor. Existem alguns santuários nesse mundo que não deveriam ser descobertos, ou eles deixam de ser sagrados. Aqui é onde vive uma fauna única, estamos completamente sozinhos, é como se fosse a primeira vez que me sinto igual à natureza e a todo o resto, e não superior.
Hal meneou a cabeça, pensativo com o discurso.
— Quando eu crescer, prometo que protegerei esse lugar com todas as minhas forças. Não importa quanto tempo passe, aqui será o nosso refúgio.
Os dois decidiram fazer uma pausa antes de continuarem a jornada. Hal acendeu uma fogueira usando duas pedrinhas recolhidas por seu Rockruff, o Pokémon cão era ótimo em encontrar a pedra ideal para esse tipo de tarefa. Dylan riu, porque se dependessem dele acabariam tendo de comer comida crua ou ficar para sempre no escuro quando anoitecesse. Eles colheram berries e se alimentaram enquanto conversavam e recuperavam as energias. Hal retirou um mapa de sua mochila e mostrou-o para seu companheiro, tentando traçar a rota que iriam percorrer.
— Eu vou começar a explorar a parte oeste da floresta com o Dia. Você fica com a outra.
— E se nós nos perdermos? E se não conseguirmos nunca mais nos encontrar? Absolutamente, não — respondeu Dylan num tom autoritário. — Sua irmã me escalou para essa aventura para que eu ficasse de olho em você. Vamos ficar juntos.
— Mas eu trouxe um mapa justamente com essa finalidade. E podemos nos localizar através de pegadas, não é tão difícil.
— Garoto, entenda que minhas chances de sobrevivência aqui são quase nulas sem você, estou fazendo isso por nós dois. Eu sou um cara da cidade e você é o caiçara. É a sua vez de ser minha babá.
— Tudo bem — Hal escondeu uma risada.
Os dois seguiram seu caminho pela floresta até cruzarem com um riacho e uma ponte de madeira. Aquele era um sinal de que eles estavam chegando até algum tipo de civilização, ou que pelo menos outras pessoas já haviam percorrido aquela rota no passado. O caminho foi divertido porque Dylan tentava identificar uma variedade de criaturas, reconheceu insetos que se escondiam debaixo da terra como os Grubins e Cutieflys que voavam ao seu redor.
— Acho que elas estão tentando chupar o meu sangue — falou Dylan.
— Não esquenta, as Cutiefly só se alimentam de néctar — respondeu o pequeno Hal, que conhecia muito dos Pokémons nativos de Melemele por sua convivência com eles. — Certa vez eu ouvi que os Cutieflys são particularmente atraídos por emoções, sejam elas felizes ou tristes. Pelo visto você tem um gosto adocicado para eles, veja só quantos voam ao seu redor!
Dylan tentava espantá-los no começo, mas logo teve vontade de levar um deles para casa, pois eram tão fofinhos com seus olhinhos grandes e perninhas longas.
— Mas e você, maninho... Por que essas criaturinhas não voam em volta de você?
— Sei lá, acho que eu não sinto nada.
— Isso é meio estranho para alguém da sua idade. Crianças deveriam estar brincando de bolinha de gude, empinando pipa e jogando futebol com os amigos.
Hal enfiou as mãos no bolso enquanto andava, imerso em reflexões.
— Eu tive essa fase, mas acho que as obrigações vieram mais depressa... Meus amigos ainda saem para brincar na casa uns dos outros, mas eu... não vou mais. Não tenho tempo para esse tipo de coisa.
— Garoto, você só tem doze anos! Tem que sair mais, viver mais.
Hal escondeu o fato de que ele não era mais chamado para nenhuma festa. Ninguém o convidava para dormir em sua casa ou ficar a tarde inteira se divertindo na rua. Após a morte de seus pais, tudo mudou drasticamente. As outras crianças viam uma espécie de barreira invisível a sua volta, não podiam fazer brincadeiras, porque ali estava uma criança que já “sofrera demais”.
— Parece que todo mundo sente pena de mim... — ele fechou seu punho com força e Dylan pôde sentir certa demonstração de raiva naquele gesto.
— Olha... Às vezes as pessoas só querem o melhor pra você, Hal. Sentir pena é um gesto de compaixão. Significa que eles se importam. Sei que você adora esse vilarejo, é o lugar aonde você pertence, mas não se constrói uma vila sozinho, você precisa de trabalho em equipe para erguer cada tijolo e construir sua morada. Se um dia você vier a lidera-los, vai precisar do carinho e apoio de cada um deles.
Hal continuou a encarar o chão, sentindo certa culpa por compartilhar pensamentos tão egoístas. Dylan o alcançou e colocou o braço em volta de seu ombro de forma que os dois fossem seguindo a trilha na companhia um do outro.
— Nós podíamos empinar pipa qualquer dia desses. Sou o mestre das pipas. Eu estava até pensando em convidar você e sua irmã para passar uns dias na minha casa em Hoenn, acho que seria bacana que vocês conhecessem o continente, vai que acabam gostando, e...
— Você pretende voltar para a sua terra?
— Bom, sim, quero dizer, não agora. As férias estão acabando, não posso ficar em Alola para sempre. Ou melhor, eu até posso, mas antes precisaria acertar alguns negócios, essas coisas de adulto.
— Minha irmã te acompanharia sem pensar duas vezes.
Dylan parou pensativo e depois concordou com a cabeça.
— É. Eu sei.


A Sra. Renée mostrava um álbum de fotografias para Miliani após o almoço. Mili usava um vestido lindo azulado, ela ficava linda em qualquer roupa com seus longos cabelos prateados que já começavam a mostrar a raiz morena, por isso logo precisaria pintar. As criadas lhes serviram chá enquanto as duas conversavam como amigas de longa data.
— Esta aqui é a minha terceira filha, a mais nova. Eu e o Max tivemos três filhos que nos deram cinco netos lindos, só uma pena que eles não venham passar tanto tempo com os avós. São muito ocupados — disse a velha senhora.
— São todos muito lindos — concordou Miliani. Sempre adorou olhar álbuns de família, por mais que hoje não suportasse mais olhar os seus sem chorar. — O Dylan deve sentir-se orgulhoso por ter pais como você.
Mili continuou observando as fotos. Não entendia muito de genética, mas ligando os pontos percebeu algo incomum. O Sr. e a Sra. Maximiliano tinham olhos castanhos e cabelos bem pretos quando jovens, assim como seus outros três filhos, Dylan era um loiro lindo de olhos claros, com fortes traços dos habitantes de Sinnoh. Mesmo que Dylan fosse o mais novo, ele não era visto em nenhuma das fotos antigas do álbum. Era como se ele subitamente aparecesse em uma página aleatória como um menino já crescido e tomasse conta de todos os capítulos posteriores.
Foi então que as peças do quebra cabeça começaram a se encaixar.
— Sra. Renée, espero não estar sendo indiscreta, mas... o Dylan é adotado?
A velha senhora respirou fundo e lentamente concordou com a cabeça.
— Sim, querida. Nosso Dylan foi adotado. Não dá para esconder a diferença de idade e aqueles lindos cabelos dourados, não é? Céus, eu e meu marido temos idade para sermos os avós deles mesmo! Nossos filhos já estão todos crescidos, eles criaram asas como passarinhos e foram formar seus próprios ninhos em outras árvores enquanto o nosso tornou-se vazio e sem cor. Foi então que um incidente colocou Dylan em nossa frente... Ele é o nosso pequeno tesouro.
Mili mordeu seu lábio inferior e segurou o choro para não fazer feio.
— Ele nunca mencionou nada parecido... E-eu sequer imaginava.
Mili sentiu-se culpada. Lembrou-se do dia em que conhecera Dylan na sorveteria VaniDelluxe e usou a morte de seus pais como forma de se esconder, sendo que ele também teve experiências trágicas no passado, e mesmo assim conseguia trazer um sorriso no rosto. Queria abraça-lo e dizer o quanto aquilo importava, precisava agradecê-lo pelo sorriso terno e o silêncio discreto. Aquilo os ligava de uma forma que não sabia como explicar. Eram duas peças quebradiças que se encaixavam com perfeição, ambos compreendiam a dor mútua. Ambos poderiam ajudar-se a reerguer-se.
Miliani levantou-se e agradeceu a Sra. Renée por compartilhar um segredo tão íntimo, mas agora precisava de um tempo para pensar. Trancou-se em seu quarto e foi até a varanda, observado a montanha distante.
— Oh, Dylan... Por que escondeu isso de mim?


A longa jornada atrás da estrela cadente já se estendia por quatro horas. O sol estava a pico e os cantis de água estavam prestes a secar, foi obra do destino encontrar uma pequena aldeia no meio na montanha onde viviam monges que buscavam autoconhecimento, concentração e paz espiritual. Dylan reconheceu de imediato seu amigo Izrael que já estava há quase uma semana vivendo entre eeles.
— Caraca, velho, você está quase virando um ancião sagrado! Olha só para essa barba e esse cabelão. Quando foi que subiu de classe? — falou Dylan com uma risada, cumprimentando-o num forte abraço.
Izrael vestia uma longa túnica verde enquanto permanecia sentado com as pernas cruzadas sobre uma cama de palha. Ele fez sinal para os visitantes e gesticulou com as mãos
— Em minha estadia nestas terras deslocadas, descobri meu verdadeiro eu interior — ele falou de forma enigmática, depois se levantou, arrancou a túnica e calçou seus chinelos, voltando a ser o Iz que todos conheciam. — Peguei vocês! Não consegui aprender nada aqui, os monges não me deixam escutar reggae enquanto relaxo, mas deu pra me divertir bastante. Agora chega mais, galera, quero mostrar uma parada irada!
Izrael guiou-os até o templo construído em homenagem ao lendário guardião da Ilha Melemele, o Tapu Koko. Hal já ouvira falar de tal lenda compartilhada pelos anciões da vila. Diziam que em tempos de necessidade, Tapu Koko protegia seu lar, os Pokémon e as pessoas.
— Será que ele esqueceu da gente então? — indagou o jovem Hala.
— Não diga bobagens, maninho! E aquela enorme pedra que despencou da montanha e não acertou a casa de vocês por pouco? Acha que foi coincidência? É obra de Tapu Koko, você deveria acreditar mais nessas coisas! — Dylan reclamou.
— Falou o cara que ficou rindo na hora da oração do Ika.
— Eu ri porque a voz dele era engraçada.
— Galera, galera. Relaxem — falou Izrael, segurando os dois pelo ombro. — Hoje vocês vieram aqui com um propósito: relaxar.
— Não, não, na verdade viemos caçar uma estrela cadente — continuou Hal.
— Ah, então vocês também estão aqui por causa do Pokémon que caiu do céu?
Depois de compartilhar o ocorrido da noite passada, Izrael confirmou a história de que um clarão vindo dos céus caiu em algum lugar da floresta densa e por lá permaneceu. Iz concordou em ajuda-los na procura, de fato, estava muito curioso para descobrir o que era e se prontificou em guiá-los até o local.
O grupo seguiu por cerca de vinte minutos na trilha até alcançar uma área onde a estrada desaparecia. Caso se distanciassem muito do vilarejo, corriam o risco de terem que passar a noite ao relento.
Hal tinha a frequente impressão de que estava sendo observado, mas devia ser coisa da sua cabeça. O Rockruff caminhava com o rabo entre as pedras bem perto de seu treinador, adorava sair latindo e correndo atrás de insetos menores, mas as criaturas que ali habitavam eram maiores e mais ameaçadoras.
Quando finalmente alcançaram o local indicado, avistaram um enorme buraco na terra. Algumas árvores estavam sem folha alguma por conta do impacto, a floresta parecia inquieta. No centro da cratera havia uma misteriosa rocha suja de terra de tamanho modesto, cerca de trinta centímetros. Dylan foi o primeiro a descer e constatou que haviam estranhos símbolos incrustados nela. Tinha uma carapaça blindada, o exterior rochoso era formado por placas separadas em duas grandes rachaduras.


— Isso... é um meteoro que caiu do céu? — perguntou Hal.
— Eu não faço ideia — confirmou Dylan.
— Irado — continuou Izrael.
Eles observavam o estranho meteorito, sem terem noção de tamanha descoberta que haviam feito.
— Poderíamos levar para meu pai dar uma olhada — Dylan prontificou-se. — A Corporação Devon é especialista em pedras e materiais raros, quem dirá o que essa descoberta pode significar para eles!
Os três desceram até o buraco com cuidado e precisaram unir forças para retirar a pedra dali, ela pesava cerca 40 quilos. Assim que a colocaram na grama, a carapaça dura rachou-se no meio, liberando dali uma criaturinha brilhante de cor pastel. Tinha olhos expressivos formados através de uma energia mística e agora flutuava ao redor dos viajantes, muito interessado.
O Pokémon fez um barulho alto e brilhou com força. Continuou a rodopiar cada um deles, como se agradecesse os humanos por libertá-lo de sua prisão. Ele então subiu até o céu e desapareceu misteriosamente.
— Irado — falou Iz. — Se estivesse sozinho, ninguém acreditaria nessa história.
— Tenho a impressão de que deveríamos tê-lo capturado — constatou Dylan. — E agora?
— Acho que era um Pokémon mesmo, talvez um que nem tenha sido registrado ainda — falou Hal, recolhendo os restos da armadura deixada para trás. — Incrível, fizemos uma descoberta inédita! Vamos levar isso para seu pai, deve valer alguma coisa.
— Demorou!
Hal e Dylan encaixavam os pedaços que conseguiam em suas mochilas, mas seria desgastante levar aquele peso todo montanha abaixo. Izrael coçava sua orelha quando teve a impressão de que ouviu um zumbido forte, mas seus amigos também notaram que algo muito estranho se aproximava da clareira. Diversos Pokémons apareceram correndo por suas vidas quando uma centena de Vikavolts selvagens disparavam faíscas de forma violenta.


— E-eles parecem meio bravos que nós invadimos sua casa— disse Hal.
— Não tem nada mais clichê do que um ataque de insetos no mundo Pokémon! — berrou Dylan. — Agora só falta a garota da equipe sair correndo e gritando!
— Calma, galera, tá tudo sobre controle — falou Izrael, respirando o ar a plenos pulmões e depois soltando tudo para fora antes de sair correndo gritando. — NÓS VAMOS MORRER AQUI!
O grupo disparou para fora da clareira, mas era difícil desviar-se de tantos obstáculos e criaturas selvagens ao mesmo tempo. O primeiro Vikavolt que atacou foi direto para cima de Hal, mas Dia pulou em sua frente golpeou a criatura com uma mordida cabeçada. O cãozinho tentou defender seu dono com uma mordida, mas o inseto disparou uma onda elétrica que o fez ganir para longe, acuado.
— Dia, cuidado! Você não pode enfrenta-los!
Por um caso você já treinou esse cachorro na sua vida?! — gritou Dylan.
— N-nós o ensinamos a dar a patinha e a sentar antes de dar ração, mas fora isso...
Izrael parecia já ter recuperado sua compostura e agora repetia para si mesmo:
— Tá tudo sobre controle, galera. Tá tudo sobre controle.
— Não, Iz, pela primeira vez manter a calma não vai ser a solução — continuou Dylan.
Izrael ergueu o indicador para os dois e pediu que fizessem silêncio. Os Vikavolts ainda estavam lá fora, não havia como fugirem sem serem notados.
Iz retirou uma pokébola do bolso do shorts e jogou-a no ar. A esfera revelou um enorme dragão muito parecido com seu dono, ele tinha uma cabeleira branca como as nuvens e seus olhos pareciam estar em outra dimensão. Era um Drampa que parecia ter sido capturado recentemente, mas já desenvolvera grande afeição ao seu treinador porque ambos adoravam meditar em tardes tranquilas.
— Galera, que conheçam o Falkor. Nós formamos uma dupla irada, né?
— Estou torcendo para que ele não seja lerdão que nem você — respondeu Dylan.
— Melhor não irritá-lo, parceiro, você não ia querer ver um Drampa com raiva...


O Drampa soprou um poderoso Dragonbreath contra os Vikavolts, obrigando-os a voltarem para seus esconderijos sem ter de feri-los, mas toda a floresta agora estava um caos. A invasão de humanos em seu santuário fez com que os Pokémons selvagens fugissem de medo e atacassem outras espécies em seu caminho. Hal sentiu-se culpado por causar tamanho alvoroço em sua busca.
— Nós precisamos fazer alguma coisa, Dylan!
— Nós precisamos é dar o fora daqui! — respondeu o rapaz.
— Não era para nada disso ter acontecido, desculpe ter metido vocês nessa!
Foi nesta hora, vendo o desespero do garoto, que Tapu Koko revelou-se para eles e olhou especialmente para Hal, como se interessado pela criança. As lendas se provaram verdadeiras quando o guardião totem da Ilha Melemele percorreu a floresta em sua frente e aquietou cada criatura, mandando-os de volta para seus lares.
Depois que Tapu Koko percorreu a clareira, ele encarou o jovem Hala em silêncio, como se aceitando suas desculpas. Hal sentiu que precisava acompanha-lo, de alguma forma era como se estivessem conectados. Eles subiram nas costas do Drampa que voou pelo céu, como o dragão da sorte em História Sem Fim. Eles voaram por toda a região acompanhando Tapu Koko mais a frente, e por onde ele passava novas plantas surgiam e o solo se tornava saudável de novo. Os destroços após o fim da tempestade foram varridos, novas árvores brotaram e o mar limpou completamente as impurezas deixadas pela tempestade.
Melemele parecia ser uma ilha em todo seu esplendor, mais linda do que nunca. Eles se sentiram os reis do mundo.
E foi assim que chegamos aqui — resumiu Dylan, encerrando sua história.
Miliani estava com a cara de quem não entendera absolutamente nada ou que se perdera na metade.
— Então vocês se depararam com uma criatura sagrada cultuada pelo povo da ilha e que existe apenas nas lendas dos mais velhos... Depois encontraram um pedaço de meteoro... Foram atacados por baratas elétricas gigantes... E saíram voando num dragão... — Mili respirou fundo. — ...têm certeza que não fumaram erva nenhuma?
— Absoluta, estão guardadinhas para ocasiões especiais — disse Izrael, soprando uma cortina de fumaça no ar da sala de visitas com as pernas esticadas. — Irado, né não? No mosteiro me ensinaram que “Há muitas coisas que não se aprendem só pensando, é preciso vivê-las.”
— É a primeira vez que ouço algo inteligente vindo de você.
— Valeu, irmão. Também te amo.
— Eu sabia que ninguém acreditaria na história — respondeu Hal, mostrando a carcaça retirada do Minior. — Por isso trouxe um souvenir da nossa aventura!
Hal mostrou a carcaça e o Barão Maximiliano encantou-se com a surpresa. Aquele material com certeza não era da terra, os pesquisadores de Hoenn poderiam aprender muito através dele, quem sabe até desenvolver espaçonaves e equipamentos da NASA ou coloca-la em um museu para ser contemplada.
— Este é o meu presente para o senhor. Por tudo que fizeram por nós.
— Seu coração é feito de ouro, meu garoto — disse o Tio Max, que nunca antes imaginou deparar-se com tamanha descoberta em sua viagem de férias. Ele fez sinal para que o garoto aguardasse e logo voltou um presente. — Quero que fique com algo. Encomendei uma Leaf Stone da Corporação Devon, afinal, trabalhamos com pedras raras. É para que você evolua o pequeno Barãozinho quando mais precisar. Não é bom para um Exeggcute ficar sozinho, talvez ele precise de companhia quando achar que está pronto. Faça bom uso dela.


Ainda naquela noite, Dylan foi até quarto de Miliani para desejar-lhe boa noite. Hal estava no banheiro tomando banho e a mulher parecia muito cabisbaixa com alguma coisa. Ele sentou-se ao seu lado, mas manteve certa distância, não queria invadir seu espaço. Mili falou então:
— Por que não me contou que você era adotado?
Dylan deu de ombros com naturalidade.
— Sei lá. E isso importa?
— É claro que importa. Eu também perdi meus pais, é difícil seguir em frente com essa dor, mas você consegue agir como se nada tivesse acontecido.
— Talvez eu já tenha me acostumado.
— Nunca nos acostumamos com esse tipo de coisa. Você foi tão receptivo e sorridente quando nos conhecemos, me sinto até culpada por tentar parecer frágil e fazer disso uma desculpa...
— Está louca? Você perdeu seus pais recentemente, eu nem sequer os conheci! Você tem todo o direito de ficar triste, nossa obrigação é fazê-la feliz. Se quiser saber, eu só não enlouqueci porque meus pais adotivos são maravilhosos para mim, porque tenho amigos divertidos e porque conheci... você.
Ele levou a mão até o queixo da moça.
— Você me salvou.
Mili não se aguentou e jogou-se nos braços dele, roubando-lhe um beijo que vinha segurando há muito tempo. Seus lábios se tocaram de maneira singela, como se estivessem fazendo algo errado, cometendo um crime. Com o quarto abafado e o suor no corpo, eles se deitaram ali mesmo. Naquele instante não existia Kai, não existia mais ninguém.
Hal acabava de sair do banheiro com sua escova de dentes na boca e uma toalha no pescoço quando viu a cena e recuou lentamente. Os dois nem notaram. Foi Dylan quem parou primeiro, ele levantou-se e despediu-se acanhado com um gesto da cabeça, depois foi embora. Hal continuou encolhido contra a parede, gostava muito de Dylan, gostava ainda mais de sua irmã que era a mulher mais importante da sua vida.
Mas naquele instante só conseguiu pensar em como Kai se sentiria.

   

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  1. Então era o ship de Kailmili que seria destruído ? Ou você está fazendo isso para quando destruir Mylan doer mais ?

    Dylan perdeu os pais em Sinnoh e foi para Hoenn , Dawn perdeu os pais indo para Sinnoh sendo de Hoenn ,coincidência ?

    '' — Absoluta, estão guardadinhas para ocasiões especiais — disse Izrael, soprando uma cortina de fumaça no ar da sala de visitas com as pernas esticadas. — Irado, né não? No mosteiro me ensinaram que “Há muitas coisas que não se aprendem só pensando, é preciso vivê-las.” ''

    Eu não sou um apoiador das ervas ,mas esse personagem é ,Irado



    SPOILER


    Mesmo sendo recente , você vai botar algo sobre como o Hala virou um Kahuna do tipo lutador ? Se ele for ser um na historia principal

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    1. Ah cara, se não há shipps destruídos não é história minha! kkkk Pelo menos aqui eu quebrei o relacionamento antes do final, então ainda temos 3 capítulos para acontecer alguma reviravolta maluca e elas terminarem juntas. Ou não. kkkk Alguém tem que sofrer até lá, e provavelmente são os leitores :v

      Eu fiquei pensando nessa parada de Sinnoh também kk No fim das contas sempre acabo interligando pequenas coisas com minhas próprias fics. E se Dylan era uma espécie de avô da Dawn, e foi dele que ela herdou os olhos azuis? (Na verdade eu ilustrava a Dawn com olho roxo, então acho que não funciona kk Vai para nossa lista de teorias bizarras).

      Iz personagem mais irado kkk Mas agora ele se despede de nós :( Era para ele nem aparecer mais, mas este foi um dos capítulos extras que eu decidi incluir e prolongar a trama até o 12.

      E sobre o kahuna Hala, já estou com os jogos em mãos, podem deixar rolar os spoilers e memes a solta! Só tenta maneirar, estou jogando bem devagar, não quero zerar tão depressa kkk Infelizmente não vai sobrar espaço para eu mostrar exatamente como o Hala se tornou kahuna, até porque aqui ele só tem 12 anos e não acho que ele se tornaria o chefe da ilha tão novo... Não terei muito tempo para explorar a fase adulta dele, mas reservei o último capítulo para mostrar um pouquinho da vida dele como o velho senhor barrigudo que conhecemos. É meio manjado, mas é o mínimo que posso fazer para encerrar este longo ciclo com personagens que me apeguei tanto :)

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